História

Em 1950, um jovem mineiro chamado Carmin Sabadin de Oliveira, natural da cidade de Carangola, nascido no dia 25 de fevereiro de 1922, ingressou na Força Pública. Até 1949, ele fazia parte da Guarda Civil. Tão logo se tomou Soldado da Força Pública, Sabadin já alimentava um ideal, o de criar uma entidade que lutasse pela defesa dos Praças e de seus familiares, pois grande parte das expectativas que ele nutria antes de entrar para a Força Pública foi por água abaixo ao sentir na pele o descontentamento generalizado dos demais companheiros por causa da falta de motivação na função de policiamento devido às péssimas condições de trabalho e de salários e, conseqüentemente, à instabilidade social. Carmin Sabadin achava que a classe estava abandonada, dividida e esquecida.

De acordo com a sua avaliação, “era preciso criar urna agremiação capaz de oferecer assistência jurídica e social, cultural e recreativa onde os Cabos e Soldados se sentissem em casa para poderem expor seus problemas e obter ajuda, se necessário”. Em 1951, colocando em pratica os ideais sonhados, Carmin Sabadin de Oliveira somou-se com mais 12 praças e as respectivas esposas, iniciando-se, a partir daí, o embrião do que é hoje a maior Entidade do gênero na América Latina, a Associação dos Cabos e Soldados da Polícia Militar do Estado de São Paulo (antigo Centro Social dos Cabos e Soldados da PMESP). Na época, todo movimento reivindicatório, por mais ordeiro e disciplinado que fosse, e que viesse, principalmente da Força Pública ou da Guarda Civil, não era visto com bons olhos pelos Comandos das Corporações, inclusive sendo considerado como ato de indisciplina interna, sujeito à sanções disciplinares.

Por esse motivo, o início das reuniões deu-se na forma de um clube, onde as pessoas pudessem se unir sem chamar a atenção, dando a conotação de reuniões sociais e festivas. Passaram, portanto, neste primeiro momento, a reunir-se na forma de um time de futebol denominado Cacique Futebol Clube. O grupo reunia-se diariamente no Bar do Ferradura, na Avenida Tiradentes.

Ali era a sede do clube (1ª sede idealista da futura entidade). Para evitar que o dono do bar proibisse as reuniões, cada diretor pedia um café que ficava tomando durante toda a reunião. Através das pequenas atividades desenvolvidas pelos diretores e por suas esposas através do Departamento Feminino, criaram um pequeno fundo financeiro, que serviu para mudar o local das reuniões. Logo em seguida, já em 1953, com a mudança de local para uma sede mais condizente, situada em um cômodo no Salão Minas Gerais, no Largo da Concórdia, e que se estendeu até 1955, com a participação ativa das esposas, modificaram também a denominação, passando a chamar-se Clube dos Vigilantes da Força Pública.

Segundo Dna. Hermínia Gomes de Oliveira, mulher de Carmin Sabadin de Oliveira, “a presença das esposas era de fundamental importância, pois além de dar a conotação de reunião social elas, ao mesmo tempo, incentivavam os maridos a continuarem a justa luta”. Os ideais presentes em Carmin Sabadin e em seus colegas praças iam, vagarosamente tomando corpo e superando todos os obstáculos, se impondo de forma ordeira e disciplinada na obtenção das conquistas até então sonhadas. Havia no Clube dos Vigilantes uma diretoria oficiosa, até porque o clube não existia de fato e de direito, que orientava às decisões que fossem tomar. A promoção de bailes, festas beneficentes entre outras atividades para arrecadar fundos eram ações constantes para que o sonho da união de todos os Praças – Pré não caísse no esquecimento.

Na ocasião, Carmin Sabadin de Oliveira, José Bernardo de Carvalho, Josué Câmara, José Francisco de Oliveira Xavier, Oirasil Werneck, Waldemar Lisboa entre outros companheiros já elaboravam planos do que seria num futuro não muito distante o Estatuto da entidade. Em 1956, com o crescente número de associados (3,5 mil na época), havia a necessidade de outro local que abrigasse os novos colegas. Foi então que deliberaram mudar a sede para a Rua Rubino de Oliveira, 52, no Brás, (1ª sede provisória da futura entidade). Na festa de Natal de 1956, além dos associados, a diretoria elaborou convite especial dirigido ao então Governador Jânio da Silva Quadros.

Como ele não pôde comparecer, a então primeira-dama do Estado, Dna. Eloá do Vale Quadros, acompanhada do Chefe da Casa Militar do Palácio do Governo, Ten-Cel Milton Marques de Oliveira, representaram o governador. Após presenciarem o espírito ordeiro, a disciplina e o cavalheirismo existentes entre os Praças – Pré, não tiveram dúvidas em apoiar à criação de uma sociedade que agregasse a classe dos Cabos e Soldados da Milícia Bandeirante. E assim, no dia 12 de março de 1957, através de autorização provisória, a entidade, ainda sem o nome oficial, começou a funcionar.

Neste período foi nomeada uma diretoria provisória para dirigir os destinos da entidade. Esta diretoria provisória tinha como presidente o Sd José Francisco Xavier Filho, que permaneceu até a eleição oficial em 26 de abril de 1958. O reconhecimento provisório foi o primeiro passo para a legalização da entidade como órgão de defesa dos Cabos e Soldados, mas ainda não era o ideal; Carmin Sabadin e os demais membros do grupo queriam o reconhecimento legal. Foi então que através do Decreto Estadual nº 30.666, publicado no Diário Oficial de 13 de janeiro de 1958, pelo então Governador do Estado, Jânio da Silva Quadros, reconheceu oficialmente a entidade como a representante na defesa dos Cabos e Soldados do Estado de São Paulo.

Grande parte desta vitória deveu-se também à então primeira-dama do Estado Eloá do Vale Quadros, que acompanhando o trabalho da equipe das esposas dos Soldados coordenados por Carmin Sabadin e Dna. Hermínia Gomes de Oliveira interferiu junto ao seu marido, governador do Estado, para regulamentar a entidade. Com a regulamentação publicada no Diário Oficial pôde a entidade registrar no 4º Cartório de Títulos e Documentos de São Paulo seu primeiro Estatuto, denominando-se, a partir daí, Centro Social dos Cabos e Soldados da Força Pública do Estado de São Paulo. Com a regulamentação oficial, a entidade mudou sua antiga sede provisória da Rua Rubino de Oliveira para a Rua Rodolfo Miranda, nº 28, esquina com a Avenida Santos Dumont (já sede definitiva).

A partir daí, a entidade pôde promover a primeira eleição com voto livre e soberano dos associados que na época somavam em torno de sete mil sócios. Foi eleito como primeiro presidente do Centro Social para o anuênio de 1958/1959 o Sd Oirasil Werneck, encabeçando a chapa “Trabalho e Honestidade” que por 660 votos contra 277 da chapa contrária teve a responsabilidade de continuar as atividades iniciais de Carmin Sabadin e seu grupo. O trabalho da diretoria era de um constante crescimento.

O sonho da sede própria era uma plataforma em todas as campanhas. A idéia era construir a sede própria num terreno doado ao Centro Social, localizado junto à Companhia de Transportes, no bairro do Canindé. Este terreno permaneceu no Centro Social até o ano de 1988, quando foi permutado por outro no município de Campinas e que serviu de base para a construção da sede própria da Regional 03. Em 1962, a Milícia Bandeirante era representada por duas entidades: o Centro Social dos Cabos e Soldados da Força Pública e pelo Centro Social dos Guardas Civis da Guarda Civil de São Paulo, que havia sido fundado no dia 21 de fevereiro daquele ano.

No dia 29 de agosto de 1963, o Centro Social dos Cabos e Soldados sofreu um duro golpe com a morte de seu idealizador e fundador Carmin Sabadin de Oliveira. Ele quem havia fundado a maior entidade de classe representativa dos Policiais da Força Pública da América Latina faleceu com o dever cumprido após ter alcançado o posto de 2º Sargento da Força Pública. Sabadin é quem fazia ronda de trânsito na Avenida Ipiranga, do bairro da Luz até à Avenida São João, porque da São João à região Sul-Oeste do Centro era a Guarda Civil quem realizava a ronda; havia uma espécie de linha divisória entre as duas Corporações.

Apesar de muita tristeza, a vida continuava. Em março de 1964, o Centro Social dos Cabos e Soldados da Força Pública do Estado de São Paulo mudou novamente a sua sede para a Avenida Cruzeiro do Sul, 2.732 e, no início de 1968, para a Rua RisKallah Jorge, nº 10, 11º andar, Viaduto Santa Ifigênia, somente saindo desta sede para o seu próprio edifício, conforme veremos à frente.

Estas mudanças, além de terem um custo operacional elevado, deixavam os associados dispersos, uma vez que já havia ocorrido seis mudanças de sede desde o reconhecimento em caráter oficial da entidade; ou seja, uma mudança, praticamente, a cada dois anos. Os diretores do Centro Social realizavam trabalho junto às autoridades competentes para buscar uma solução à construção da sede própria. O Centro Social já havia recebido doação por parte do Executivo de uma área no bairro do Canindé, mas não era o ideal. Dois anos mais tarde (1970) ocorreu a fusão da Força Pública com a Guarda Civil através do Decreto Lei nº 217, publicado no DOE no dia 08 de abril daquele ano.

Assim, o então governador do Estado de São Paulo, Abreu Sodré, extinguiu a Força Pública e a Guarda Civil, unificando as corporações e criando a Polícia Militar. Com a unificação, as duas entidades representativas tiveram de alterar suas denominações. O Centro Social da Força Pública passou a chamar-se Centro Social dos Cabos e Soldados da Polícia Militar do Estado de São Paulo, e o Centro Social dos Guardas Civis da Guarda Civil de São Paulo passou a denominar-se Clube Associativo dos Cabos e Soldados da Polícia Militar do Estado de São Paulo.

Com a extinção da Força Pública e da Guarda Civil, não haveria porque existir duas entidades representativas de um mesmo universo de associados. A unificação de ambas passou a não ser só um ideal, mas um procedimento legal. Em 22 de março de 1972, as entidades decidiram, por bem, se unir, conforme Ata de Assembléia Geral registrada junto ao 4º. Registro de Títulos sob nº 1313092, passando a denominar-se Centro Social dos Cabos e Soldados da Polícia Militar do Estado de São Paulo. Após a fusão das duas entidades, o número de associados dobrou. O Centro Social, fundado por Carmin Sabadin, tinha 12 mil associados, e o então Clube Associativo, ex-Centro Social da Guarda Civil, possuía 8 mil associados.

Com a fusão ficaram 20 mil sócios no Centro Social. Já havia a necessidade de maior espaço físico para atender o associado, inclusive para se implantar novos convênios, departamentos e contratar mais funcionários. Em 1973, o Centro Social dos Cabos e Soldados deliberou em assembléia com grande parte dos associados à compra de imóvel na Rua General Júlio Marcondes Salgado, 24, no bairro de Santa Cecília, onde em seus dois andares comportariam amplamente melhores e maiores acomodações.

Para que o sonho se realizasse, foram vendidos dois imóveis: um do Clube Associativo, na Rua Helvetia, 555, e outro do Centro Social à Rua Coronel Joaquim Montenegro, 21, em Santos, para dar a entrada no imóvel próprio da entidade. Este novo imóvel CR$ 1.500.000,00, o que representa US$ 250.000,00. Dois anos após, (1975), o Centro Social dos Cabos e Soldados da Polícia Militar do Estado de São Paulo começou a apresentar problemas financeiros e administrativos gerados na fusão das duas entidades, pois o Clube Associativo dos Cabos e Soldados da Polícia Militar do Estado de São Paulo (antigo Centro Social dos Guardas Civis da Guarda Civil) carregava prejuízos financeiros e patrimoniais e, com a fusão pelo Centro Social dos Cabos e Soldados da Polícia Militar (antigo Centro Social dos Cabos e Soldados da Força Pública), todo esse déficit passou a ser de responsabilidade da nova entidade, que deveria arcar com todos os pagamentos e compromissos assumidos pelo antigo órgão. Para reverter à situação, assumiu interventor da entidade o Cabo PM Valfredo Araújo Santos, que cumpria as funções de vice-presidente juntamente com os seus diretores com o compromisso de promover o saneamento financeiro e o ordenamento administrativo da entidade para, posteriormente a esta “limpeza administrativa e financeira” promover a eleição para uma nova diretoria executiva e conselho fiscal.

O trabalho de saneamento financeiro e ordenamento administrativo realizado sob a batuta do Cabo PM Valfredo Araújo Santos foi tão reconhecido e elogiado pelos associados que na eleição que se processou logo após o levantamento da intervenção, a chapa “Trabalho e Honestidade”, a mesma que nutria os ideais de Carmin Sabadin, foi eleita para gerir os destinos associativos do Centro Social dos Cabos e Soldados da Polícia Militar do Estado de São Paulo. Na nova fase que se inicia, com o Centro Social saneado, a chapa Trabalho e Honestidade inicia um processo de crescimento, aliando o aumento no número de associados com a promoção de maiores benefícios sociais e a aquisição de novos patrimônios.

A ascensão da entidade foi tão significativa que de 1975 a 1980 o Centro Social dos Cabos e Soldados alcançou uma média de 1,5 mil novos associados por ano. A sede da Rua General Júlio Marcondes Salgado tornara-se pequena novamente. A sorte foi que um ano antes, em 1979, a Diretoria do Centro Social já havia deliberado a aquisição do atual prédio da Avenida Marquês de São Vicente, 531, na Barra Funda, cujo fechamento do negócio na época foi considerado por alguns como projeto megalomaníaco, pois nem estação de metrô havia por perto. Hoje o mesmo edifício está localizado nas proximidades do Metrô Barra Funda, da sede do Tribunal de Justiça do Trabalho (por onde circulam cerca de 10 mil pessoas por dia), do Memorial da América Latina, das Marginais Tietê e Pinheiros e de outros pólos industriais e comerciais.

Os próximos anos que se seguiram, mesmo com os mirabolantes planos econômicos na década de 80 aplicados pelos sucessivos governos não acarretaram nenhum tipo de empecilho para o desenvolvimento do Centro Social dos Cabos e Soldados. A entidade investiu maciçamente em novos imóveis para ampliar o número de regionais e proporcionar lazer e recreação aos associados, a exemplo da Colônia de Férias de Itanhaém, que foi totalmente reformada através de um projeto arquitetônico sem precedentes. Em maio de 1994 (três meses após o então ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso criar a URV), o Centro Social dos Cabos e Soldados oficializou, em caráter definitivo, o nome de Associação dos Cabos e Soldados da Polícia Militar do Estado de São Paulo.

Em 1995, o Cabo PM Wilson de Oliveira Morais despontava como novo presidente da entidade, sucedendo o Cabo PM Valfredo Araújo Santos. Dois anos mais tarde, ele tornou-se o idealizador de um convênio inédito entre os Governos Federal e Estadual, conseguindo verbas a serem destinadas para a construção de 10 mil moradias aos Policiais Militares e Civis, sendo que 6,4 mil habitações seriam para Policiais Militares e 3,6 mil para Policiais Civis. Até janeiro de 2002, a Associação dos Cabos e Soldados já havia entregado 3,5 mil unidades. Este convênio serviu de exemplo para todo o Brasil.

O reconhecimento por relevantes serviços prestados na Associação dos Cabos e Soldados lhe rendeu mais uma brilhante vitória naquele ano ao conquistar 44 mil 627 votos e assumir uma cadeira na Assembléia Legislativa de São Paulo como Deputado Estadual. Foi a primeira vez na história do Estado em que um “Praça” da Polícia Militar conseguiu eleger-se para o Parlamento Paulista. Em sucessivas reeleições, Cabo Wilson continua firme na Presidência da ACS fazendo valer o direito dos Policiais Militares do Estado de São Paulo.

Hoje a Associação dos Cabos e Soldados possui, além da sede central, 15 Regionais e 8 Núcleos Representativos no Estado de São Paulo, 8 clubes de campo e pesca e duas Colônias de Férias, uma em Itanhaém e outra em Ubatuba.

Carmin Sabadin – Idealizador e Fundador do Centro Social

1957 – 1958: José Francisco Xavier Filho (1º presidente provisório)

1958 – 1964: Oirasil Werneck

1964 – 1965: Sebastião Gomes

1965 – 1966: José Francisco Xavier Filho

1966 – 1968: Evilásio Barroso Torres

1969 – 1972: Josué Câmara

1972 – 1974: Josias Francisco Paraiso

1974 – 1975: Zacarias Alfredo Freire

1975 – 1995: Valfredo Araújo Santos

1995 – 2018: Wilson de Oliveira Morais